sexta-feira, 27 de abril de 2018

Precisamos falar sobre o desfile do Ronaldo Fraga!



trechos retirados da entrevista concedida à revista Veja (https://veja.abril.com.br/entretenimento/ronaldo-fraga-relembra-tragedia-de-mariana-em-desfile/)



M E U   D E U S!!!!

Não sei nem como começar a falar da arte em forma de desfile que aconteceu nesta última edição do SPFW apresentada pelo gigante Ronaldo Fraga. 

Bom, vamos começar do começo, hehe! 

Acompanho o SPFW desde os tempos em que ele era conhecido como Phytoervas Fashion (oi anos 90!). Lembro de esperar ansiosa pelas revistas impressas para saber tudo o que estava rolando de novo... eu era adolescente na época e lia basicamente as revistas Todateen, Capricho e Marie Claire (#saudades).
Foi nessa época, lá pelo ano de 1996, que eu ouvi o nome do Ronaldo Fraga. A princípio eu gostei dele por ser mineiro (sou meio mineira, então tenho um carinho muito grande por tudo relativo ao estado). Lembro de achar ele muito mais exótico do que qualquer outro estilista que eu já tinha visto. Sempre dono de um bigodinho maroto e óculos de grau, o Ronaldo para mim era quase como um desenho. 
Lembro muito também da Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, usando as peças dele durante as premiações da MTV... tudo isso me fascinava e me fazia achar ele incrível!

Os anos foram passando, eu fui amadurecendo e acabei percebendo que o Ronaldo Fraga é muito mais do que apenas roupa. Ele é um verdadeira artista! Todos os desfiles dele são arte. Em alguns ele fala sobre política, em outros ele homenageia músicos e poetas. O fato é que, depois de assistirmos a um desfile dele, sempre paramos para refletir sobre muitas coisas apontadas durante os poucos minutos de duração do show. 

Ele sempre pensa criativamente em tudo o que envolve o evento: as roupas SEMPRE passam a mensagem principal do desfile, o cenário é sempre bucólico e nos remete instantaneamente à ideia central, os acessórios casam lindamente com a roupa e a música é sempre impactante.

Dito isso, vamos cortar para o dia 26 de abril de 2018, mais precisamente ontem, o dia de fechamento da edição 45 do SPFW.

O Ronaldo Fraga me fez chorar! Eu NUNCA chorei vendo nenhum desfile na minha vida! Já vi desfiles ao vivo e pela internet, mas nunca, NUNCA, me emocionei tanto a ponto de derramar lagriminhas! 

O que foi aquilo? Alguém me explica?

Ele usou as roupas para falar sobre a tragédia que aconteceu em Mariana, ocorrida em 2015. 

A ideia surgiu quando ele visitou a comunidade de bordadeiras de Barra Longa e conheceu a histórias das mulheres daquela região. Durante as conversas ele percebeu que a história daquelas famílias que perderam tudo ainda estava viva. Muitos deles conseguiram salvar fotografias dos familiares, vestidos bordados por elas e que foram usados por várias gerações da família, entre outras lembranças. 
O estilista percebeu também que, por mais que a cidade tenha sido devastada, hoje ela está sendo reconstruída. 
Com isso em mente ele buscou fazer um desfile que mostrasse a resistência e a renovação da história. 

As roupas vinham em tons terrosos, algumas com folhas de 'comigo-ninguém-pode' bordadas em vestidos amplos. Os acessórios em cobre deformado transformados em colares e pulseiras lembravam as vigas das casas demolidas.    

A apresentadora Marília Gabriela foi a responsável por levar ainda mais emoção ao desfile. Já na entrada, ela andava com olhar sério e um pouco triste.De repente, ela retirou uma peça da cabeça e jogou no chão, representando as pessoas que perderam tudo no desastre que destruiu o Rio Doce.
Ao final, já com um look todo preto, Marília entrou em meio as modelos e todos se deitaram no chão, em sinal de Luto. 




A platéia, que teve o imenso privilégio de poder presenciar isso, aplaudiu fervorosamente a obra de arte que presenciaram. 

Por favor, assistam o desfile!


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