terça-feira, 15 de janeiro de 2019

#ColunaCorujão Novembro/18: Moda também é Política

Aliar moda e política pode causar um estranhamento inicial nas pessoas, pois muitos tendem a achar que moda é uma coisa fútil e que não tem nenhuma relação com a política. Porém é só lermos um pouco sobre a história do mundo para entendermos que, inclusive, moda e política estão sempre muito ligadas. 

Desde Cleópatra, passando por Maria Antonieta, até chegar nos dias de hoje, as mulheres e a forma como elas se vestem e se comportam dizem muito sobre os diversos momentos da história.

A primeira dama dos Estados Unidos, Melania Trump, passou recentemente por uma grande saia justa por conta das roupas e acessórios que usou durante uma viagem que fez para a África. Em uma de suas visitas, Melania usou um capacete "pith" branco durante um safári e a imprensa começou a compará-la com os administradores brancos coloniais do século XIX. A escolha de suas vestimentas durante toda a viagem foi considerada um desrespeito ao povo africano e sua história.

O casamento real britânico do príncipe Harry com a atriz americana Meghan Markle também causou um frenesi mundial pelo fato das escolhas da noiva terem sido simples. Porém os dois vestidos usados por ela eram de estilistas ingleses, mostrando apoio à moda e a economia do país.

O estilista Ronaldo Fraga costuma dizer que vestir-se é um ato político. Segundo ele o homem é um ser político e a moda é um ato político. A escolha do que vestir é importante para o personagem que se quer ser no mundo.

A moda sempre reflete os acontecimentos sociais, culturais e políticos que ocorrem pelo mundo. O feminismo, inclusive, está tendo muito destaque durante as semanas de moda e também nas ruas.

Vivemos tempos complicados e intensos e todos acabam tendo um posicionamento político. A moda e as roupas surfam na onda política como disseminadora dos ideais de quem a veste.

Associamos automaticamente moda às mulheres, mas vocês sabiam que a maioria dos cargos de diretoria de grandes marcas e os maiores designers do mundo são homens?! A Dior, por exemplo, em setembro de 2016 durante a semana da moda de Paris, apresentou a diretora criativa Maria Grazia Chiuri. Essa foi a primeira coleção que uma mulher alguma vez criou para a marca nos seus 70 anos de história.

Desde que Chiuri chegou à marca francesa, ela vem alterando a imagem da Dior para um viés mais feminista. Em seu primeiro desfile, ela estampou algumas peças com a frase “We should all be feminists”, (“Deveríamos ser todos feministas”), em referência à escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Aliás, assitam ao TED dela clicando AQUI.

A grife Prabal Gurung também fez alguns manifestos feministas durante sua apresentação na semana de moda ao desfilar camisetas com os dizeres “The future is female” (“O futuro é feminino”) e “Girls Just Wanna Have Fun-damental rights” (“As garotas só querem ter direitos fundamentais”).

Após esses desfiles, usar camisetas com mensagens ativistas tornou-se uma das formas de disseminar ideais políticos.

Obviamente, apenas o fato isolado de usar uma peça com um pensamento
político não faz dessa pessoa uma ativista, mas essa popularização de camisetas com frases políticas mostra que de fato a moda e a política andam mais juntas do que muitos acreditavam.

Historicamente, o primeiro designer a ajudar a libertar o corpo feminino de padrões rígidos e ornamentos excessivos foi o francês Paul Poiret. No fim do século XIX ele aboliu o corset de suas criações e colocou no lugar deles roupas soltas e que não sufocavam as mulheres.

Coco Chanel foi outro ícone de transformação social e é uma das maiores responsáveis pela mudança do papel feminino. Nos anos 20 ela trouxe para a moda feminina as calças, até então exclusividades masculinas. Além disso, ela tornou-se referência de comportamento independente, por ser dona de si.

As mulheres estão buscando cada vez mais o seu espaço na moda, na política e na sociedade. Muitos não entendem o significado da palavra feminismo e acreditam que ele se opõe ao machismo... Porém, segundo o dicionário Michaelis, a palavra significa um movimento articulado na Europa, no século XIX, com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos sociais e políticos de ambos os sexos, por considerar que as mulheres são intrinsecamente iguais aos homens e devem ter acesso irrestrito às mesmas oportunidades destes.

Logo, o feminismo trata-se da busca pela igualdade de gêneros. As mulheres continuarão a conquistar o seu espaço a partir do pensamento coletivo e através da luta da categoria a favor do que realmente importa: respeito. Respeito às vontades, ao trabalho, ao corpo, aos desejos... respeito ao ser humano.

A moda, portanto, nos ajuda a sonhar e a planejar um mundo mais justo, com homens e mulheres mais felizes.

Portanto, da próxima vez que você for escolher a roupa antes de sair de casa, pense em qual mensagem você gostaria de passar às pessoas e aproveite essa ferramenta como forma de comunicação e manifesto político.

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