sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Vamos falar sobre o fenômeno Black Friday

“Devemos consumir para viver e não viver para o consumo.”

Ao ler essa frase em um artigo esses dias, parei para analisar mais friamente toda a cadeia de consumo sem sentido que está por trás da Black Friday.

Nos Estados Unidos, a data acontece sempre um dia após o feriado de ação de graças. Alguns dizem que essa sexta-feira ficou conhecida assim, pois havia sempre um grande número de pessoas nas cidades que saiam de suas casas para começar as compras de Natal. O Varejo, que já costumava lucrar muito em Dezembro, resolveu criar esse dia especial para aumentar ainda mais o faturamento do final do ano.

É assustador perceber a proporção gigantesca que essa data tomou, mesmo no Brasil e mesmo em meio a uma grave crise econômica! Eu fui bombardeada por propagandas vindas de todos os lugares: nas ruas, nas redes sociais e nas lojas. Em todos esses bombardeios fui atacada pelos dizeres “BLACK FRIDAY”, “60% OFF”,  todos em caixa alta e negrito.. alguns até piscavam!

Ao pensar no lado sustentável do negócio, a Black Friday está indo em uma direção totalmente inversa ao que eu venho pensando sobre a vida e sobre o futuro do planeta, afinal, tudo aquilo que você faz todos os dias, faz diferença. Então, a meu ver, se existe uma data criada pelo mercado para instigar o maior número de pessoas a consumirem produtos que elas provavelmente nem precisem, há algo errado.

Analisando bem mal e porcamente, vamos pensar apenas na quantidade de plástico que esse dia gera... milhares de pessoas comprando produtos que provavelmente são embalados em plástico bolha, inseridos dentro de sacolas plásticas e que, ao chegar em casa, irão para o lixo! Ou então, podemos tentar entender como aqueles produtos mais vendidos são produzidos: eles usam muita água na produção? Algum tipo de material tóxico é descartado na natureza? O produto pode ser reciclado de alguma forma?

Portanto, antes de sair comprando loucamente só porque aquele letreiro gigante pulou na sua cara (é tentador, eu sei... passo por isso e nem sempre resisto!), pensem em umas coisinhas:

- você precisa disso?

- caso precise, você verificou se a promoção é real? Já havia feito pesquisa de preço para esse produto antes? Não queria te desanimar, mas se você nunca viu o preço desse produto, provavelmente você não necessita dele.

Li um post no blog Um Ano sem Zara que fala justamente sobre isso e aborda uma iniciativa incrível da marca basico.com, que adotou uma Black Friday transparente ao mostrar 3 preços diferentes ao consumidor: o preço cheio, o preço do desconto normal feito para troca de estoque e  o desconto “Black Friday” que não cobre os custos com infra-estrutura e equipe. Vale ler o post AQUI

Outra empresa que adotou essa estratégia de comunicação foi a Insecta Shoes. A marca de calçados veganos fez um vídeo que está circulando nas redes sociais explicando detalhadamente todo o custo de um sapato e o motivo pelo qual não tem como fornecer descontos exorbitantes para os clientes de forma sustentável. Achei sensacional! O IG da Insecta Shoes está disponível AQUI

Uma matéria do ano passado que está disponível no site globo.com, entrevistou o diretor do Instituto Akatu, Hélio Matar e ele disse uma frase que resume tudo o que eu despejei aqui para vocês refletirem:

“Exposto a numerosas ofertas, o consumidor pode perder a noção daquilo que é realmente necessário. E como na produção e transporte de tudo o que consumimos são emitidos gases de efeito estufa (GEE), o excesso de consumo leva, entre outros impactos negativos, ao aquecimento global e às Mudanças Climáticas que estamos vivendo”.


Fecho com a seguinte frase que li no site do Instituto Akatu: consumo consciente não significa deixar de consumir, mas consumir melhor e diferente, sem excessos, para que todos vivam com mais bem-estar hoje e no futuro.



2 comentários:

  1. é ju...é assim mesmo...um consumo desenfreado na black friday. mas não é só nela, basta ver quando alguma fast fashion lança uma coleção com gente importante e preços nas alturas, que acontece a mesma coisa.
    estamos condicionados a consumir cada vez mais e isso também é um pouco de culpa da nossa profissão, né?
    mas temos que trabalhar pra ter dinheiro pra pagar contas, comer, vestir, etc.
    e a minha dica pra qualquer black friday da vida é repetir pra mim mesma até me convencer (mas não preciso de muito sacrifício pra
    isso) é: "vc não tem dinheiro....vc não tem dinheiro....vc não tem dinheiro" e é verdade...eu não tenho mesmo...hehehe

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    1. Ando pensando muito sobre a nossa profissão, sabia? Criamos o conceito de desejo e eu estou tentando me encaixar de alguma forma na publicidade e ainda trabalhar com propósito.
      O mantra "vc não tem dinheiro" eh MARA KKKK

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